Arquivo de Junho de 2009

José Nêumanne - Palestra

“O jornalista, poeta e escritor José Nêumanne Pinto fez palestra numa das salas de congressos do Maksoud Plaza Hotel, em São Paulo, na terça-feira 16 de junho de 2009, à tarde, durante o Seminário Brasileiro sobre técnicas de comunicação social, promovido pela Dalupe Promoções para secretários de comunicação e imprensa de prefeituras municipais e órgãos públicos. Convocado a discorrer sobre “A imagem da comunicação oficial na visão da mídia (grande imprensa)”, ele mostrou como, em vez de chefiar um governo, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva comanda, na verdade, um grande projeto de comunicação de massas, com a ajuda de seu ministro mais eficiente, o jornalista Franklin Martins. Segundo Nêumanne, ambos realizam o “sonho dourado de Josef Goebbels”, o mago da propaganda de outro grande demagogo, o ditador nazista alemão Adolf Hitler, que era o de impor a própria verdade pela repetição exaustiva de ideias e conceitos.

admin

Hoje, na Estação Nêumanne!

Artigos:
Assombração insepulta em casarão colonial. Diário do Comércio, SP:

“A defesa do presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), terça-feira, foi um dos momentos mais constrangedores testemunhados por este veterano repórter político, habituado ao cinismo dos políticos por dever de ofício. Por mais distanciamento que o profissional da comunicação seja obrigado a ter das fontes com que se relaciona, seria um excesso de insensibilidade não sentir vergonha ao acompanhar um ancião com um currículo que inclui uma passagem pela presidência da República e duas pelo comando do Senado Federal reunir argumentos pueris e insustentáveis, com voz trêmula e gaguejante, como um colegial despreparado respondendo a uma questão sobre tema que não estudou na prova oral.” Leia mais!

tomar tino ou tomar tiro.
Artigo da coluna do gênio da publicidade Neil Ferreira publicada no Diário do Comércio na quinta-feira 19 de junho de 2009:

“É preciso conhecer a Mentirobrás, a mais poderosa e atuante estatal brasileira, e os meandros do lullismo para entender o ataque covarde a José Nêumanne Pinto, editor, escritor, poeta e um dos mais sólidos jornalistas brasileiros, editorialista do Estadão e do Jornal da Tarde, comentarista da Jovem Pan e do SBT. Leia mais

“O departamento de marketing do SBT tem recebido uma enxurrada de e-mails de grevistas da USP pedindo minha demissão a pretexto de eu ter pregado no telejornal matutino que eles deveriam “levar tiro”. Veja o vídeo do comentário, ouça a frase correta: “deviam tomar tino”. E conheça o grau de canalhice, surdez, ignorância e patrulhismo político d-essa gente.” José Nêumanne Pinto

ANOTAÇÕES DE JOSÉ NÊUMANNE

Em 2005, recebi o prêmio Senador José Ermírio de Moraes pelo melhor livro de 2004, pela primeira vez um romance, O silêncio do delator. Ao recebê-lo, fiz um discurso convocando os acadêmicos à luta contra a degradação da língua portuguesa, que tem sido vilipendiada na universidade, nas escolas em geral, nos meios de comunicação e até na literatura.

Aqui temos exemplos de que o trabalho para destruir “a última flor do Lácio inculta e bela” é realizado com a cumplicidade da universidade. Leia duas provas de como a língua portuguesa está sendo mais uma vítima da greve da USP.

Como já lhe informei antes, encerrei um comentário no Jornal do SBT – Manhã, afirmando: “Hermano, essa turma devia tomar tino”. A partir daí, se desencadeou uma campanha furiosa e difamatória contra mim com a afirmação falsa de que eu tinha conclamado a polícia a atirar nos grevistas. Não adianta distribuir o vídeo mostrando o comentário verdadeiro. Pois apareceu até uma testemunha ocular e auricular de que eu teria dito levar tiro, e não tomar tino.

Sob o título de Amigo jornalista e poeta, recebi mensagem da tal testemunha, que se diz professor de história (c_alexandre_sp@yahoo.com.br). Se for mesmo, imagine o nível de suas aulas. Primeiro, pela devoção que ele demonstrou pela veracidade dos fatos. Depois, pelo uso que faz do vernáculo. Veja a frase que ele me atribuiu: “esses grevista devem ser combatido com força pela polícia e tiros”. Ela trai a imaginação do historiador e também seu vocabulário escorreito. Outras pérolas como hora no lugar de ora, pensamento como os seus, estarão sempre relegado. (atenção para a vírgula separando o sujeito do verbo, é original dele). Sem contar a confusão esdrúxula do raciocínio dialético da mensagem. E repare que o ilustre docente me acusa de analfabetismo intelectual, seja lá o que for isso. E ainda me manda um abraço.

Não se assuste, pois isso tudo é café pequeno comparado com o que logo abaixo transcreverei e que me foi dirigido por um tal de Walter Mannochi (wal.man@hotmail.com). Para facilitar sua vida, apenas chamarei atenção para a forma “original” com que grafou as palavras mais elementares da língua portuguesa. Só por isso já é possível chegar a uma conclusão aproximada sobre o grau de intimidade dessa gente com a língua de Machado, Eça e Pessoa.

Desculpe-me lhe repassar esse lixo, mas serve para mostrar a quantas anda o nível do ensino universitário brasileiro. Essa maciça produção intelectual foi produzida como resposta a um comentário meu sobre a greve da USP. Portanto, é de presumir que os signatários das pérolas abaixo têm alguma relação com aquela antigamente respeitável instituição universitária. O título da mensagem é tendeciosidade, seja lá o que for isso. Chamo sua atenção para acessor, imprenssa e sobretudo a preciosidade prenteção.

Eis a mensagem do historiador, colada tal como a recebi, sem a troca de um só sinal gráfico:

Jornalista Neumanne Pinto, em alguma dessas manhãs ao me preparar para mais um dia de aula, fiquei estupefato, ao escutar um comentário do senhor sobre o movimento grevista da USP, disse o senhor “esses grevista devem ser combatido com força pela policia e tiros”.

Hora meu caro jornalista, bem sabe que manifestações fazem parte da raiz democrática da civilização ocidental, civilização esta construída por continuidade e rupturas (materialismo dialético), pondo que excede muitas vezes as regras rígidas da inflexibilidade, portanto a base do desenvolvimento de uma sociedade.

É evidente, o senhor como representante intimo dessa política de cabresto típica do coronel sertanejo jamais conseguira entender e quiçá adotar na vida.

Claro, pensamento como os seus, (vírgula separando sujeito de predicado) estarão sempre relegado ao analfabetismo intelectual e esquecido no máximo servir de chacota por parte de quem usa a inteligência.

Um abraço

Historiador Alexandre Di Filippo

E a outra à qual me referi acima:

Jose: ´Fáz muito que estou entalado na garganta para te dizer umas verdades. Ze, voce como jornalista e comentarista é um raivoso nojeto, canalha, ordinário, pusilanime, idiota e covarde tendencioso ao soltar toda sua acidez contra o Lula. Voce deveria lavar sua imunda bôca com uma forte agua sanitária e tomar vacina anti-rabica, antes de falar deste governo, que junto com Jucelino é o melhor presidente que ja surgio, seu imbecil.

iTenhoTenho certeza de que voce faz isto para agradar esse caloteiro dos precatórios que é esse indecente politico Jose Serra. Sua prenteção com certeza é arrumar um cargo de acessor de imprenssa na pretença vontade do Serra de ser prepresidendete, caso que não se confirmará, pois o povo não permitirá. Tenha certeza que vou começar a pegar no pé do Silvio Santos,para não permitir que um tendencioso anti-ético, continue fazendo criticas azedas´só porque não gosta da pessoa

O comentário que provocou a fúria dessa nata da intelectualidade uspiana é o que se encontra nesta página.

Desculpe pelo desabafo e tenha uma boa tarde,

Nêumanne

SV - Quais as suas outras atividades, além de escrever ?

Sou chefe dos editorialistas do Jornal da Tarde, do grupo de jornais de O Estado de S. Paulo. E comentarista de política dos jornais da Rádio Jovem Pan, de São Paulo, e do Sistema Brasileiro de Televisão (SBT).

SV - Como surgiu seu interesse literário ?

Minha mãe dizia de cor poemas de Castro Alves quando o motor da luz era desligado em Uiraúna, no sertão da Paraíba, antes da chegada da eletricidade de Paulo Afonso. Aquele ritmo me encantou. A fonte de minha vocação literária foi minha mãe, que derramou poesia no Livro do Bebê, no qual ela anotou detalhes de meu primeiro ano de vida.

SV - Quantos e quais os seus livros publicados dentro e fora do País ?

Só publiquei livros no País. Foram, ao todo, dez, até agora: Mengele, a natureza do mal (romance-reportagem sobre o criminoso nazista); Erundina, a mulher que veio com a chuva (perfil biográfico da ex-prefeita de São Paulo); As tábuas do Sol (poesia); Atrás do palanque (bastidores da eleição presidencial de 1989); Reféns do passado (coletânea de artigos políticos e ensaios); Barcelona, Borborema (poesia); A República na lama (a história da República de Alagoas e da queda de Collor); Solos do silêncio (poesia reunida); Veneno na veia (romance a clef sobre o escândalo dos anões do Orçamento); e O silêncio do delator (romance laureado com o Prêmio Senador José Ermírio de Moraes, da Academia Brasileira de Letras, em 2005, como o melhor livro brasileiro de 2004). Além disso, foi lançado o CD As fugas do sol, pelo CPC da Umes, com poemas meus e trilha sonora do maestro Marcus Vinicius de Andrade.

SV - Qual a atmosfera propicia aos seus impactos literários ?

Não sei. Até agora não produzi nenhum.

SV - Quais os escritores que você admira ?

Albert Camus, José Lins do Rego, J. D. Salinger, Castro Alves, Augusto dos Anjos, Walt Whitman, Fiodor Dostoievsky, Guimarães Rosa, William Shakespeare, Juan Rulfo, Panaït Istrati – não necessariamente pela ordem.

SV - Qual mensagem de incentivo você daria para os novos escritores?

Loucura pouca é bobagem

Selmo Vasconcelos é poeta, jornalista, escritor paraibano e editor do blog “Academia Momento Lítero-Cultural”. Acesse. Clique aqui!