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Neste sábado, 10 de julho de 2010, José Nêumanne reverencia a edição dos 30 anos do livro de poemas “Que país é este?” de Affonso Romano de Sant’Anna, com o artigo “A pátria do poeta: a de sempre”.

    Leia o artigo na íntegra. Clique aqui!

    Affonso Romano - Que país é este?

Que mania é essa, sujeito?
O paraibano Zé do Norte entrou para a história não só por aquilo que fez, mas aquilo que não fez mas disse que fez. E gravou.

Sobre o CD LUA BONITA, de Socorro Lira. Leia o artigo completo. Clique aqui!

Socorro Lira - CD Lua Bonita

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NA CASA AVOENGA

Na casa avoenga - Poema

A nuca cansada apoiada
na palma aberta da mão,
os olhos míopes
do velho Chico Ferreira
escutavam o choro do sertão
no céu sem estrelas
da mais escura vastidão.

um sapo
um grilo
um rês
uma rã

Assim era o serão
na Fazenda Rio do Peixe,
de onde fui vindo.

Todo som que me vier
do bojo da rabeca de Bié,
como chuva na telha
e sabor de leite coalhado
com rapadura rapada
– eta emoção!

Ouça o poema lido por Nêumanne. Clique aqui!
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Na noite de quinta-feira 3 de junho, dia de Corpus Christi, minha família, meus amigos mais próximos e eu sofremos uma perda irreparável. Francisco Mendes, meu fac-totum, meu amigo de verdade, o controlador da contabilidade de minha mãe enferma, o protetor de minha família, o zelador de minha vida profissional, guiava sua Harley Davidson, paixão maior de sua vida de ex-roqueiro, quando, numa curva do Mandaqui, voltando para casa na zona norte de São Paulo, deparou-se com a Indesejada das Gentes ao chocar-se contra um automóvel. O choque lhe foi fatal e ele não pôde gozar as férias de 20 dias que estava pronto a iniciar no dia seguinte, 4 de junho.. Nesse acidente tive amputadas meus dois braços e quebradas minhas duas pernas. A ausência de Francisco, que era manso, sensato, prestativo, humilde e fiel, Mendes, que se multiplicava era um e era mil e, portanto, mereceu cada dia de sua curta vida de 52 anos, o próprio sobrenome no plural. Deixou-me desolado, atarantado, desorientado. Minha vida sem ele nunca mais será a mesma, pois não é fácil encontrar um cavalheiro sempre disposto a ajudar como ele era. Que Deus se aproveite bem de seus serviços contando com sua prestimosa ajuda sempre que precisar de alguma coisa que não Lhe esteja ao alcance. Voltei voando de Milão, onde visitava minha filha Clarice, meu genro Luca e minhas netas Stella e Anna, para ter o privilégio de acompanhá-lo à última morada. Deus me permitiu esse privilégio de poder rezar o Padre Nosso com a mão direita sobre o ataúde e o coração aos prantos, mas feliz da vida por poder ter convivido com um ser humano de sua estirpe durante um bom tempo, embora curto demais para tão grande amizade como a nossa.

José Nêumanne

José Mendes Cíndio - 04 de junho de 2010

NA MEMÓRIA

CHICO MENDES, 52
Daniel Pereira

Viver é perigoso, dizia Guimarães Rosa. Já estava com o texto de estréia deste blog pronto para ser postado quando recebi a notícia de que o Chico Mendes havia nos deixado. Morrer é o capítulo final da vida. E é disso que as pessoas falam nos dias seguintes à morte, dependendo de como ela se deu.

O Chiquinho era chamado de Pelé pelos familiares. Logo que o conheci não entendi o por quê do apelido. Afinal, era baixinho, branquelo, o futebol nunca foi seu esporte predileto. Seu hobbye e orgulho era a Harley Davidson que o levava nas asas da liberdade aonde fosse. E foi a bordo dessa paixão que ele escreveu o último parágrafo de sua aventura terrestre. As inexplicáveis causas do acidente ficaram na curva de uma rua de Santana, bem perto de sua casa, quase em frente onde mora a irmã e a poucos metros do Raimundo, um dos points que freqüentava no fim de semana.

Aprendi a respeitar e a admirar o Chico logo de cara. É fácil identificar o bom caráter em poucos dedos de prosa. Quando, de fato, o sujeito é bom caráter. Altos papos sobre atividades e gostos comuns. E aos poucos vai ficando bem claro por que Pelé. Se alguém quiser saber exatamente a razão desse honroso apelido, não pergunte a nenhum dos familiares do Chiquinho. Claro, são suspeitos. Faça assim: dê um pulo até a página do jornalista José Neumanne Pinto na internet (http://blog.neumanne.jor.br/)., de quem Chico Mendes foi pai, irmão, filho, amigo e escudeiro fiel de tantos anos.

Chico, meu rapaz! Você vai fazer muita falta nesse deserto de idéias e de gente de bem. Aquele chopp com o Zé Neumanne no Bar Léo, que Você agendou, continua de pé. E, lá, brindaremos ao privilégio de tê-lo conhecido.

UM FRANCISCO SINGULAR, O MENDES PLURAL
Cláudia Cordeiro

Bem disse Nêumanne, Mendes era plural no desdodabramento de gentilezas na dose certa da ação certa, do dever cumprido: o do trabalho, o do amigo.

Nunca vi pessoalmente o Mendes, mas, mesmo sem brechas nos textos, sem brechas na fala, nunca procurei adivinhá-lo na forma. Se pequeno, se alto… mas sentia nele o timbre da elevação do caráter, do espírito. Assumo, sou espiritualista. E fico procurando entender a causa de uma fabulosa soma de ligações: duas vezes para ele no mês passado. Afinal, Mendes dispensava ligações, porque tudo que fazia era reto e claro. Tudo era dia no seu trato. Nada do que perguntei parece-me, hoje, ter sido mesmo o que queria perguntar (?). Mas todas as respostas dele foram amigas, solidárias, esclarecedoras. Se alguém tivesse algum caminho a percorrer, deveria consultar o Mendes. O Pai o chamou, na certa precisa dele para alguma tarefa de anjo. Ele tinha mesmo o perfil dos anjos protetores. Ecoa-me a frase no final da nossa conversa: “Nêumanne eu não deixo nunca”. E riu agradecendo quando eu disse: Amém.

“Mendes, quando descansar um pouco da travessia e mergulhar de vez nessa energia cósmica da divindade, você ganhará asas e estará sempre por perto de Nêumanne. Se sobrar um tempinho, mande uma mensagem, eu a sentirei, estarei sempre no seu dial.
Que todas as Estações de Luz o acolham.
Grata e comovida pela convivência feliz e nobre,”
Cláudia Cordeiro

José Mendes Cíndio - por José Nêumanne

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